Cenário
Uma inspeção ou um levantamento com um drone médio ou grande. O plano de voo está pronto no papel, mas do solo não se vê tudo: cabos entre postes, antenas no telhado ao lado, uma grua montada ontem, ramos por cima do ponto de descolagem. Antes de pôr o drone grande no ar, faz-se voar um drone com menos de 250 g.
Objetivo
Ver de cima, com pouco risco, o que o drone grande vai encontrar, e corrigir o plano antes da descolagem a sério.
Riscos
- Obstáculos que não se veem do solo: cabos, tirantes, antenas, gruas, árvores.
- Pessoas que entram na área durante o trabalho.
- Vento em altitude diferente do vento ao nível do solo.
- Sinal fraco atrás de edifícios ou encostas.
- Dois drones no ar ao mesmo tempo.
Categoria
O drone pequeno. Um drone com menos de 250 g de construção amadora, ou da classe C0, voa na subcategoria A1 da categoria «aberta». As operações decorrem de modo que o piloto remoto possa sobrevoar pessoas não envolvidas na operação, «mas nunca sobrevoe concentrações de pessoas» (Regulamento de Execução (UE) 2019/947, anexo, rubrica UAS.OPEN.020, ponto 2). Fica a menos de 120 metros da superfície (artigo 4.º, n.º 1, alínea e)) e à vista do piloto (artigo 4.º, n.º 1, alínea d)). A classe C0 é definida pelo Regulamento Delegado (UE) 2019/945, anexo, parte 1: «uma MTOM inferior a 250 g, incluindo carga útil».
As zonas também se aplicam a ele. Antes do voo, o piloto deve ter as informações sobre as zonas geográficas (rubrica UAS.OPEN.060, ponto 1, alínea b)) e, durante o voo, respeitar as suas limitações (ponto 2, alínea c)).
Se tiver câmara, o operador regista-se. A obrigação aplica-se também abaixo dos 250 g a qualquer aeronave não tripulada «equipada com um sensor capaz de capturar dados pessoais», exceto os brinquedos conformes com a Diretiva 2009/48/CE (artigo 14.º, n.º 5, alínea a), subalínea ii)).
Um drone de cada vez. Na categoria aberta, a EASA indica que o piloto «should […] operate only one UA at a time» (AMC1 UAS.OPEN.060(2)(d)). Nos cenários de operação padrão é o próprio regulamento: o piloto remoto deve operar «uma única aeronave não tripulada de cada vez» (rubrica UAS.STS-01.040, ponto 2, alínea d); rubrica UAS.STS-02.040, ponto 2, alínea c)). Portanto: ou o drone pequeno aterra antes de o grande descolar, ou é pilotado por uma segunda pessoa.
O voo principal fica na sua categoria. Se for uma operação «específica», a declaração ou a autorização dizem o que está coberto: se o reconhecimento for feito na área enquanto o drone grande voa, é aí que se verifica.
Meios
- Um drone com menos de 250 g com câmara, baterias carregadas.
- O plano de voo do drone grande, para comparar com o que se vê.
- Se o reconhecimento for feito enquanto o outro drone está no ar: um segundo piloto e uma forma clara de falarem um com o outro.
Sequência recomendada
- No papel: zonas, restrições temporárias e plano de voo do drone grande.
- No local: uma volta a pé. O drone pequeno não a substitui.
- Voo do drone pequeno ao longo do percurso do drone grande, à altitude do trabalho: cabos, antenas, gruas, árvores, pessoas, acessos, um ponto para a aterragem de emergência. Observa-se quanto deriva com o vento e como se aguenta o sinal.
- Aterragem. Anota-se o que se viu e guardam-se as fotografias e os vídeos.
- Se for preciso, corrige-se o plano.
- Descolagem do drone grande.
Erros frequentes
- O mesmo piloto com dois drones no ar.
- Saltar a volta a pé «porque há o drone».
- Esquecer que as zonas também se aplicam abaixo dos 250 g.
- Apagar as imagens do reconhecimento: são a prova do que se sabia antes da descolagem.
- Sobrevoar um grupo de pessoas porque «o drone é pequeno».
O que entregar
Normalmente nada ao cliente. As imagens do reconhecimento podem entrar no relatório como «condições do local no momento do trabalho».
Que provas guardar
- Fotografias e vídeos do reconhecimento, com data, hora e posição.
- As notas sobre o que se viu e o que se mudou no plano.
- O voo no logbook. Na categoria «específica», o registo das operações é uma obrigação do operador, que o mantém «por um período mínimo de três anos» (rubrica UAS.SPEC.050, ponto 1, alínea g), subalínea iii)). Na categoria aberta, as regras europeias não exigem um logbook: registá-lo serve para poder demonstrar que a verificação foi feita.
No Dronetrake faz-se assim
- O Mission Gate lê o plano de voo (KMZ DJI ou .plan) e verifica-o antes da descolagem: zonas geográficas de UAS, restrições temporárias e NOTAM, altitude autorizada, distância ao terreno.
- A checklist antes do voo preenche-se na missão e fica assinada.
- O voo do drone pequeno entra no logbook como os outros, com o seu drone e o seu piloto.
- As fotografias e os vídeos do reconhecimento carregam-se na missão: cada ficheiro tem a sua impressão digital e a hora de carregamento.
Fontes
- Regulamento de Execução (UE) 2019/947, texto consolidado em 01/05/2025: artigos 4.º e 14.º, anexo, rubricas UAS.OPEN.020, UAS.OPEN.060, UAS.SPEC.050, UAS.STS-01.040, UAS.STS-02.040: https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=CELEX:02019R0947-20250501
- Regulamento Delegado (UE) 2019/945, anexo, parte 1 (classe C0): https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=CELEX:02019R0945-20250624
- EASA, Easy Access Rules for UAS, revisão de junho de 2026, AMC1 UAS.OPEN.060(2)(d), p. 444: https://www.easa.europa.eu/en/downloads/110913/en